quinta-feira, 9 de junho de 2011

SEM CORAÇÃO [parte 6]


Estava num estado de sonolência absurdo. Não entendia direito o que estava acontecendo e levantei da cama atordoado. Só deu tempo de vestir uma camisa e colocar minha sandália de plástico. Quando cheguei à rua o sol feriu meus olhos e aumentou ainda mais minha sensação de desorientação. Nem me lembrei de pegar a bicicleta; não era tão longe assim; apenas chegaria mais rápido. O que sentia era um nó na garganta. Só percebia que a vida era realmente rápida nesses instantes, tão veloz como minhas pernas eram naquele momento. Por incrível que pareça, não demorei tanto como devia e cheguei ao alto da ladeira que era o começo da rua de Sandro. Estava lotada, mas não foi isso que chamou minha atenção de imediato. A luz. O brilho dos últimos raios de sol estava refletindo nas águas sujas da maré, mas logo se dissipou. Quando voltei do brilho hipnótico percebi que todos corriam na direção da casa do finado.
Ainda não tinha nenhuma autoridade policial para dar ordem ao caos instaurado naquela rua. Contudo, as pessoas estavam com medo de entrar na cena do crime. Os curiosos olhavam desconfiados pela janela; não queriam se envolver em nenhuma espécie de problemas. Quando entrei na casa duas pessoas estavam olhando o corpo, provavelmente vizinhos mais corajosos. Antes de descrever o qual o estado do corpo de Sandro quero relatar algo que achei estranho – poderia passar despercebido para muitos, mas não para mim. A TV e o aparelho de DVD estavam ligados e tocando uma banda de pagode. Já tinha comentado anteriormente que Sandro não gostava de música. Realmente não entendia aquela banda sendo executada nos aparelhos eletrônicos de Sandro.

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