quarta-feira, 22 de setembro de 2010

"ACONTECEU EM WOODSTOCK" E PODE ACONTECER AGORA



Baseado em uma história real. Assisti a esse filme do premiado Ang Lee. O show de rock mais comentado de todos os tempos realmente merecia ter uma versão cinematográfica feita por um bom diretor. Apreciei com deleite cada cena, observei todas as cores, todo o figurino, os anseios dos personagens.
Os bastidores do show de rock mais famoso foi o pano de fundo do dessa produção. A série de contratempos enfrentados pelos produtores do espetáculo faz com que nos sentirmos próximos do show.
Geralmente quando assisto a um bom filme quero que uma cena esteja viva em minha mente por muito tempo; neste filme elegi minha cena predileta: quando o personagem principal, num processo de libertação da moralidade de uma cidadezinha americana usa uma droga pela primeira vez – ácido – e tem os efeitos alucinógenos mais bonitos que já vi. OBS: nunca usei drogas alucinógenas (risos).
Tiveram cenas memoráveis como, por exemplo, as brincadeiras dos hippies durante os intervalos do show etc. O legal desse filme foi como focou o processo de libertação exposto na vida do personagem central da trama. Este quer salvar a propriedade dos pais da falência e consegue trazer a edição desse show para sua cidade, a contragosto da população que enxergavam a figura do hippie como sendo danosa.
O personagem central, seus pais e alguns vizinhos sofreram a influência libertária dos jovens que queriam ouvir música – o filme mostra a libertação sexual, visto que esse personagem central é gay. Com cenas singelas e surreais foi um filme que encanta qualquer um, principalmente àqueles que gostariam de ver a Janis Joplin cantar em Woodstock.

É REALMENTE UM PARENTE INSISTENTE -- O PRIMO BASÍLIO



“Tinha notado, – e a sua voz tomou o tom espaçado de uma revelação, – tinha notado que muita gente, num local, causa vertigens aos homens de estudo.” (Capítulo IV)
Desde o último comentário desse livro pude perceber o tom crítico do autor acerca da sociedade lisboeta. A citação acima chama atenção, pois o personagem que faz essa referência é Basílio. Um aventureiro como ele se acha um homem de estudo. Claro! Um pseudo-aristocrata se considera superior. Mas não poderia deixar de fazer mais uma citação desse livro em que o Brasil é mencionado:
“Não te podia levar para o Brasil. Era matar-te, meu amor! Tu imaginas lá o que aquilo é!”
Referência à música: uma enxurrada de óperas é mencionada nesse livro (Rossini, Gounald...)
A paixão tórrida entre Luísa e Basílio se tornou explícita para o leitor a partir desse capítulo, ao mesmo tempo em que aumenta o mexerico da vizinhança. A inquietação e irritação de Juliana também começam a crescer. O ódio da empregada aumentava – chegou a gritar na presença de sua amiga sobre o caso de sua patroa, mas Luisa na ouviu. Depois desse grito tem um súbito malestar.
Luísa cede aos desejos d primo e vai ao campo com ele. Quando retorna encontra Sebastião, amigo do marido, em sua cassa para lhe informar sobre os comentários da vizinhança, mas, ao perceber a enxaqueca de Luísa, ele prefere contar no dia seguinte: Luisa fica transtornada, porém agradece o alerta do amigo. Uma nova preocupação surge: se os vizinhos há estão comentado, Jorge, ao voltar, poderá ter conhecimento do adultério.
Leopoldina. Ela aparece com força na trama novamente. Visita Luisa e tem um momento de saudosismo – lembranças escolares. É nessa rememoração que algo ocorre que chamou atenção; Leopoldina afirma:
“- Nunca – exclamou – nunca, depois de mulher, senti por homem o que senti pela Joaninha! ... Pois podes crer...”
É justamente assim que começa o capítulo cinco, com uma confissão de desejos lésbicos. Não posso deixar de comentar que nessa parte do livro é feita uma referência a um dos livros preferidos por mim: Dama das Camélias, de Dumas filho. Essa referência é feita intencionalmete na parte em que Leopoldina faz um discurso contra a casa de Luísa – afirmava que parecia um convento.
Caramba esse registro das impressões desse livro me deixam cansado. Ufa!


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

PROSA DE ESPINHOS [novo vídeo, uma bela canção]

Outro vídeo do ensaio da banda. Desta vez a música – até agora a minha predileta – é uma composição do guitarrista Bob Lopes. Desta vez não é necessário colocar a letra aqui, visto que uma legenda acompanha o vídeo. Mais uma vez não é uma gravação profissional, mas já informa a característica da banda em tratar com carinho a música. Curtam e deixem comentários.

UMA PEQUENA PROPEDÊUTICA WEBERIANA

Tardiamente a Alemanha se torna um estado independente. Não parece, visto que a Alemanha é uma potência no mundo contemporâneo e sua posição nos países mais ricos e influentes do mundo é privilegiada. Sim, a unificação alemã foi tardia. Retirando o passado nazista (uma verdadeira pedra no sapato) é uma nação admirável.
A história desse país oferece as características de seus pensadores. Para entender isso basta tentar analisar a gênese do pensamento de um clássico da sociologia: Max Weber. Nascido na cidade de Erfurt, na Alemanha, Weber desenvolveu estudos de direito, filosofia, história e sociologia. Contudo, no campo sociológico Weber é conhecido e influenciou nos estudos sobre religião. Sua principal obra: “A ética protestante e o espírito do capitalismo”. Foi comentado, neste mesmo blog, sobre o Darwinismo social, uma espécie de positivismo – evolução social cujos estágios que anulam as particularidades, ou seja, a comparação de sociedades e a tentativa de homogeneizar. Exemplo: se a cultura e a sociedade européia eram consideradas mais evoluídas, na época das grandes navegações, não importava a história das sociedades indígenas que eram consideradas inferiores.
É contra essa visão que Weber fará oposição. A concepção histórica é de extrema importância para o autor, pois é um elemento fundamental para a compreensão das sociedades. Não pode haver estágios (preconceituosos) de evolução nas sociedades, pois as diferenças sociais são interpretações de acordo com a gênese (origem) e formação.
As perspectivas weberianas são duas: histórica – respeita as particularidades de cada sociedade – e sociológica – ressalta elementos gerais de cada fase do processo histórico.
As particularidades de cada sociedade ou formação social e histórica devem ser respeitadas. Não quer comparar sociedades como Durkheim.
Os questionamentos que nortearam a construção desse texto foram:
1º) Por que a Alemanha , apesar de ter se tornado um país unificado tardiamente,se tornou um país desenvolvido?
2º) Qual a principal obra de Weber e a sua maior contribuição para a sociologia alemã?
3º) Qual a diferença entre o pensamento de Weber e o do positivismo (darwinismo social)?
4º) Explique as perspectivas de Weber para entender a sociedade.



sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Matou a família e foi ao cinema. É um título de um filme



Político. Insano. Lésbico. Báquico. São alguns adjetivos que povoaram a minha mente após assistir esse filme do Júlio Bressane. Com uma linguagem cativante, não consegui desviar a atenção das imagens projetadas na tela dos computadores. Não tinha dado muito crédito a esse filme quando me foi ofertado por Luciana parceria na cinefilia e em outra filias. Nos primeiros minutos assistidos pude perceber que se tratava de uma jóia do cinema. Não pesquisou sobre o diretor, mas quero conhecer mais de sua obra.
Pude perceber toda intenção política nas cenas, contudo a que mais me chamou atençã foi quando o verbo saber foi conjugado. Tinham perguntado sobre a política do Brasil; a resposta: Eu sei/ Tu sabes/ Ele sabe/ Nós sabemos / vós sabeis / Eles sabem. Até Dom Helder foi citado.
A trilha sonora. Ah! Que maravilha!
A relação lésbica das personagens centrais é muito curiosa. Minhas vizinhas assumiram o lesbianismo há pouco. Elas são, atualmente, o centro das fofocas da vizinhança. Olhares de reprovação são passados a elas pela forma escachada de seus comportamentos. Acredito que olhares de desejo também sejam lançados, apesar da hipocrisia.
Lembrei muito do núcleo lésbico das imediações da casa em que habito ao assistir esse filme. Os olhos da mãe – no filme –, quando vê a filha numa relação homo, se comparam aos olhos de meus vizinhos. A filha mata a mãe enquanto a parceira lixa as unhas: acho que é essa a reação das minhas vizinhas lésbicas, visto que afrontam os olhares de todos.
Relações não politicamente corretas como, por exemplo, assassinatos de pais, lesbianismo etc., fazem desse filme uma afronta aos nossos princípios consolidados pela realidade ou pelo consciente coletivo, como diria Durkheim.


domingo, 22 de agosto de 2010

E NASCE UMA BANDA [a que participo]

Quero logo me descculpar pela qualidade ruim do vídeo, principalmente do som. Contudo, a pedido de leitores desse blog, esse vídeo mostra uma de minhas primeiras composições e o arranjo feito pelos outros integrantes da banda. Deixem sinceros comentários.

Baixo - Luís.

Guitarra- Bob Lopes.

Bateria - Douglas.

Voz e violão - J. Neto [Figueiredo]

Janela

Vermelho é a cor que vejo dentro dos olhos de uma mulher que passa.
Algo acontece na cidade que parece adormecida.
Sinto um pulsar em meus dedos,
Uma vontade louca de fugir.

Queremos escapar da prisão que nos liberta.
Deixamos a porta sempre aberta para uma nova espera.
Saímos de cela em cela,
Tentando escapar por uma janela.

A brisa fria é sufocante,
Sinto adrenalina nas veias.
O amor é vendido em uma esquina,
Por um preço tão alto que não tenho como pagar.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um parente insistente - O primo Basílio



Estou lendo “O primo Basílio” de Eça de Queirós, porém assisti a produção cinematográfica brasileira adaptada desse clássico da literatura. Estou no capítulo 5 do livro e confesso: estou encantado com a narrativa. As descrições psicológicas, que já considero realista, expressam a forma humana de maneira singular – um ser humano interesseiro, conformista, adúltero, preocupado com as convenções sociais –, com certa “melancolia enevoada”. Eça de Queirós era um verdadeiro popstar no Brasil na época da edição desse livro, mesmo com sua fama nunca tinha lido seus livros mais famosos como, por exemplo, Os Maias e O crime do padre Amaro. O único livro que já li desse autor português foi Alves e Cia (reli duas vezes).
Observem uma referência ao Brasil em O primo Basílio:
“Via-se no Brasil, entre coqueiros, embalada numa rede, cercada de negrinhos, vendo voar papagaios.”
Outra:
“A Bahia não o vulgarizara.”
Bem, gostaria de comentar o filme outrora assistido. Gostei da adaptação ao contexto brasileiro do final da década de 50 e início dos 60. Gostei das atuações, principalmente do ator toxicomaníaco Fabio Assunção como Basílio. Contudo, uma coisa fez com que desabasse essa produção: as cenas de sexo foram de muito mau gosto. Não gosto daquilo que fizeram, parecia uma sessão do Cine Privé. O que lembro com saudade do filme foi a atuação poderosa de Glória Pires, agora acostumada com papéis de gente pobre – lembrar da mãe do Lula nos cinemas.
Voltando aos 5 capítulos do livro já lidos. A descrição dos personagens principais foi realizada:
1-Jorge: engenheiro de minas, casado com Luísa, preocupado com o que vão falar de sua esposa.
2-Luísa: casada com Jorge, vive uma vida feliz e se irrita com Juliana, sua empregada; adora ficar excitada ao ouvir os casos extraconjugais de sua amiga.
3-Leopoldina: a libertina, adúltera, amiga de Luísa, a única que não se preocupa com as convenções sócias.
4-Basílio: primo de Luísa, aventureiro, encantava a todos.
A vida na sociedade lisboeta é retratada com muita propriedade nesses capítulos. Todos esses personagens expressam os sentimentos do final do séc. XIX. Vejamos suas relações:
Jorge (1) e Luísa (2) – casamento regular, vida rotineira; ele gostaria muito de ter filhos.
Jorge (1) e Juliana (3) – é a empregada do casal, pois ela ajudou (com intenções) sua velha tia.
Jorge (1) e Leopoldina (4) – o cidadão perfeito odeia a devassa da Leopoldina; quando Jorge viaja a trabalho proíbe a presença de Leopoldina em sua casa. Jorge pede a um colega para vigiar sue esposa quando ele estiver fora.
Luísa (2) e Leopoldina (4) – amigas de infância; são confidentes.
Incrível como encontro pessoas com essas mesmas características no círculo social que convivo. As classes sociais são representadas nesses personagens; irei comentar mais sobre esse livro até terminar sua leitura.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Só entenderá essas fotos se ler a portagem anterior

O cine vitória é bem ali.





TRISTEZA DE UM LADO ALEGRIA DE OUTRO







Há alguns meses atrás ouvi uma notícia interessante no telejornal local: o ministério público determinou a restauração das pinturas do prestigiado Jenner Augusto que estão localizadas no antigo restaurante Cacique. A assinatura do artista data de 1949 e essa obras estão se deteriorando cada vez mais. Essa minha última ida ao centro da cidade me deixou triste ao ver que nada foi feito ainda e a situação só piora. Não resisti, tirei fotos que estão postadas aqui. Desculpe pela qualidade das fotos das pinturas, visto que tremia perante o odor de urina que o antigo restaurante possuía. Quem diria que os políticos e intelectuais se encontravam naquele local?
“Do outro lado do rio”, digo, do outro lado da rua algo me deixou feliz em detrimento da tristeza causada pelo descaso público com as obras de Jenner Augusto. A Rua 24 Horas, que estava sendo reformada a não sei quantos anos, está quase pronta para reabrir. Tinha ouvido essa notícia também no noticiário local e informava que o cinema Vitoria também iria reabrir – quase gritei de alegria. Se quisesse ir ao cinema teria que me dirigir ao um shopping da cidade. Trocadilhos à parte, isso me incomodava profundamente, visto que o templo do cinema era maculado pela imposição capitalista e mercadológica de um estabelecimento como esse. Odeio Shopping! Certo que a Rua 24 Horas é considerada um mini-mini shopping, mas mesmo assim é melhor.
Vejam as fotos.






domingo, 15 de agosto de 2010

ÍNDIO ADORA COMER SARDINHA


“Porém, amor à pátria – entenda-se bem – mesmo profundo e ardente, não protege contra a burrice”(Aber Vaterlandliebe, - man erwäge wohl, - möge sie auch tief und glühend sein, schützt vor Dummheit nicht). Essa frase de Tobias Barreto, escrita originalmente em alemão, me fez pensar em certas questões. Ao ler o livro de Beatriz Góis Dantas – Xocó: grupo indígena de Sergipe – pude perceber quão cruel foi a colonização nessas terras do “Sertão do rio real”. Quando falamos em indígenas lembramos imediatamente em tribos amazônicas e naquela região norte. Porém, onde hoje pisamos anteriormente foi habitado por inúmeros nativos. Como tantos índios foram massacrados? Desconhecia a presença indígena e nunca vi nas rodovias do menor estado da federação placas indicando reservas destinadas aos índios. Ao ler o livro anteriormente citado e observando as fotos contidas nele, percebi que essa “tribo” tinha perdido quase todas as características que nos lembrasse indígena. O que realmente ocorreu aqui?
Reza a lenda que o primeiro bispo do Brasil, bispo Sardinha, vinha numa nau que naufragou entre Sergipe e Alagoas. Os índios que habitavam nessa região não se fizeram de rogados e, antropofágicos como eram, mataram e comeram nosso primeiro bispo católico. Que evento emblemático esse! Antropofágico! Dizem que após esse evento a caçada aos índios nessa região foi implacável. A primeira expedição para conquistar essas terras foi liderada por Luis de Brito e tinha como objetivo punir os tupinambás por abandonarem a catequese, mas os índios voltaram e foi necessário mandar outra expedição. Dessa vez Cristóvão de Barros chegou com 5000 homens – Japaratuba, Pacatuba, Siriri e outros caciques foram mortos e suas tribos chacinadas.
Que terrível! O patriotismo e o ufanismo sergipano não devem fazer com que esqueçamos essas atrocidades. Mas o fato do primeiro bispo do Brasil ser comido pelos índios me deixou feliz. Não pela morte do religioso, mas por ser cômico – como é o título dessa postagem. Preciso escrever uma música sobre isso.


sábado, 14 de agosto de 2010

O poema desse final de semana, não consigo parar de ler...


CÁLCULO
Amar-te
não foi o acaso
nem a loucura
mas o cálculo certo
do beijo
do gesto
de multiplicar a vida
sem susto
nem o absoluto medo
de errar
Errei pelos teus caminhos
Dei saltos no abismo
Fui a improvisação
A inacabada
Sobrei
Depois...
nada mais havia a fazer.
(Núbia Marques, escritora sergipana)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

DIA DO ESTUDANTE - MAIS UMA VEZ



In vino veritas (no vinho está a verdade). Não! Não ingeri uma gota do precioso líquido ofertado a Baco – ou Dionísio, deus do vinho – ao escrever essas palavras. Apesar de ser professor e gostar – até agora – do que faço, sempre fui crítico da classe estudantil que ainda faço parte. Hoje, como uma data especial, irei defender os estudantes; não de forma romantizada, mas cheia de sentimentos e apreço.
Minha crítica pueril e inicial aos estudantes era de não ser necessário ser bom aluno para garantir uma vida feliz. Para sustentar essa tese afirmava que os índios não estudavam e eram super felizes. Só agora entendo que à medida que os seres humanos se encontram em uma sociedade a transmissão de conhecimentos se faz necessidade básica para a própria sustentabilidade dessa sociedade. Contraponho à minha hipótese inicial: nas sociedades indígenas as “escolas” são substituídas por outras formas que transmitem o saber.
OBS: Os mais velhos, nas sociedades indígenas, são considerados mais sábios.
Talvez a criação da primeira instituição com a responsabilidade de educar foi criada na Grécia – a academia de Platão. Nas sociedades contemporâneas ocidentais a escola tem um papel fundamental; portanto os estudantes são o centro dessa instituição.
Juntar pessoas e tentar criar nelas o espírito apto ao conhecimento é algo difícil. Tentar criar a consciência crítica nos estudantes é algo doloroso. Mas a mágica de uma escola está nos próprios estudantes que, com suas personalidades diversas, nos trazem momentos de pura alegria e nostalgia. Vejo-me em meus alunos que repetem muito do que já fiz. Defendo os estudantes só hoje, que é um dia especial, mas amanhã tudo volta e os atacarei, repreenderei e provocarei, da mesma forma que fizeram comigo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Silveira ou Rodrigues? Briga inteligente

[Foto: Pirografura do artista sergipano Bosco Rolemberg que foram feitas na prisão na época da ditadura e liberadas com a anistia, tive a portunidade de contemplar suas obras em sua última exposição na galeria Álvaro Santos]
Fragmento da entrevista de Joel Silveira a Geneton Moraes Neto
Geneton: O que é que ficou da convivência com Nelson Rodrigues?
Joel: Uma vez, na redação da Última Hora, eu estava escrevendo à máquina, depressa, porque, no fundo, o que sou mesmo é um bom datilógrafo. Lá estava eu escrevendo, com os dez dedos. Nelson chega, fica em pé diante de minha mesa, em silêncio. De repente, diz: “Patético!” E vai embora. Então fui até a mesa onde ele trabalhava, fiquei uns dois ou três minutos olhando em silêncio e disse: “Dramático!”. Eu não tinha nada contra Nelson Rodrigues, mas não gosto daquela coisa escatológica que ele cultivava. Nelson Rodrigues, no fundo, era, na vida pessoal, um homem de um moralismo atroz. Não bebia, não fazia farra, não tinha amantes.
(Caros Amigos; ano IV; Nº 37, Abril -2000)
Figueiredo: Fico com os dois.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O GÊNERO INFANTIL




A dubiedade do título foi posta propositalmente. Questões de gênero na tenra idade são muito discutidas, como, por exemplo, se a menina deve brincar de carrinho ou de bonecas. Contudo, a intenção desse texto é discutir ingenuamente o gênero conhecido como literatura infantil. Tive oportunidade de comparecer a um lançamento de um livro desse gênero no mês passado – “O monstro de chocolate” (2010), da garota sergipana Alice Vitória – no palácio-museu Olímpio Campos. Foi durante o evento que surgiram alguns questionamentos acerca desse tema.
A própria autora do livro citado anteriormente é uma criança, ou seja, uma escritora mirim escrevendo para crianças. A divulgação de livros infantis é muito pequena se comparada com os juvenis e adultos. Em muitos momentos essa distinção etária não é válida para separar leitores. Exemplos de livros que devem ser lidos por todas as idades:
1 – Alice no país das maravilhas (Lewis Carrol)
2 – Histórias de Fadas (Oscar Wilde)
3 – O pequeno Príncipe (Saint-exuperry)
Poderia elencar inúmeros livros. Atender o público infantil é uma tarefa extremamente complicada, pois ao mesmo tempo em que vai se formando leitores, o tratamento a eles deve ser cuidadoso. Não é só porque são crianças que se deve escrever qualquer coisa. Agora a duplicidade de sentido do título irá servir: já vi pais proibirem seus filhos (literalmente do sexo masculino) de ler na infância para não se tornarem homossexuais. A questão do gênero literário infantil é determinante no gênero sexual? Espero que essa resposta seja respondida de forma sensata.
Lembro, também, de Vinícius de Moraes e seus comparsas que dedicaram uma parte de sua obra musical às crianças. Adorei a idéia de que crianças podem tornar escritoras. Isso me fez lembrar-se de María Zambrano, escreverei algo sobre essa filósofa (que começou a escrever na infância) futuramente.
OBS: Uma das lembranças de minha infância foi a de escrever e produzir livretos para a leitura de um amigo Carlos Rubens, não sei se ele se lembra disso.