quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

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Foi condescendente aos meus carinhos. Entregava-se como a fêmea que deseja procriar. Exigiu minha dissimulação e a felicidade invadiu meu peito. Em cinco segundos me perdi em seus cabelos e vaguei em sua nuca; senti como se estivessem fazendo o mesmo comigo. Dormi com todas essas lembranças; morri de saudades em meus sonhos. Não consigo mais escrever sem esses desejos. Quero devorar a página, lamber a tinta grudada no papel. Quero deixar meus fluidos nela. Quero que ela tenha o cheiro que sinto ao ficar excitado. Não existe nada mais terrível que seu olhar – me deixa desarmado e vulnerável aos seus caprichos. Queria falar mal e maldizer essa prisão dos sentidos. Contudo, percebo que só existe isso: uma teorização do sensorial.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

10 ACONTECIMENTOS DOS ÚLTIMOS DIAS



Acontecimentos dos últimos dias: [1] comecei a ler meu primeiro SARAMAGO – “A caverna”. A narrativa desse livro possui um ritmo diferente, preciso identificá-lo dentro de uma estrutura feita de parágrafos enormes. [2] Percebi como tenho uma palavra na ponta da língua ao ser enjoado: FODA-SE. [3] Fui à casa de minha avó – que AMO de paixão. [4] Conheci um casal sadomasoquista – até então só tinha visto no cinema. Gostei muito da agressão mútua e a cara de PRAZER de ambos. A s marcas em seus corpos eram como troféus. [5] Ganhei um voto de afeto e uma indicação sexual de como agir CLANDESTINAMENTE. [6] Tomei sorvete em demasia: não faço isso durante o período das aulas DEVIDO à garganta. [7] Observei uma cor diferente no crepúsculo do dia 18/01/11 – vou tentar reproduzir essa cor em meu próximo quadro. [8] Recordei da feição, ao ver uma foto na casa de minha Avó, da tia idosa e falecida de minha MÃE que se encantou com meu pênis quando tinha 12 anos. [9] Assisti malhação e só confirmei o que já sabia – odeio aquilo. [10] Assiti o filme de Nolan (A Origem) e gostei, apesar da pretensão.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

UMA LEITURA HERMENÊUTICA - UM PACTO DE SANGUE


Aprendi com certo filósofo de Fortaleza – sim! Um filósofo – que “as pessoas só precisam de uma oportunidade”. Aprendi também com ele a fazer certas “leituras” panorâmicas de certas situações. Realmente nada é gratuito; cada gesto, frase tem um significado intencional e essa leitura hermenêutica esclarece coisas que passariam despercebidas.
Ultimamente estou com as “antenas ligadas” para tudo. Quero entender sou recepcionado, amado e odiado analisando gestos e palavras.
Hoje me senti amado e muito querido. Um ritual primitivo e inconsciente me deixou muito feliz. O sangue alheio foi propositalmente depositado em meu braço selando uma relação à sangue. Não precisei tirar o meu sangue. Ufa! Somos primitivos usando microondas? Não quero adentrar nessa questão, mas lembrei de uma música de Engenheiros do Hawai: “Você que tem idéias tão modernas é o mesmo homem vivia nas cavernas”.
Fiz a leitura da situação e percebi a relação masoquista representada pelo sangue alheio. Teria controle sobre a pessoa que depositou seu sangue em mim? Aparentemente sim e quero aproveitar isso ao máximo.
O sangue ficou em mim por várias horas, secou e foi retirado com água. Mas aquilo tornou próximo demais pessoas que não possuíam laços sanguíneos. Quero mais sangue, mais intimidade primitiva, mais toque.

PANDORA


Fujo de uma palavra –
a que estava imersa na caixa
de Pandora. Ela realmente é um
mal como os outros.

[mas, sem ressalva, ajo e
tomo minhas decisões.]

Prefiro morrer por seu amor
que esperar sentado.
Pode parecer retrocesso; somente
quero afastar o pranto salgado.

Quando olho o passado sinto
a força de sua presença.
Mesmo ausente crio coragem para
te trazer de volta.

[Contudo, minha mente sempre
Esteve mergulhada em seu cheiro]

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O SOLITÁRIO



“A palavra ‘joia’ chegou-nos pelo francês antigo ‘joiel’ que, por sua vez, proveio do latim ‘jocalis’, ‘aquilo que causa prazer’. Tem a ver também com ‘jocus’, graça, divertimento, brincadeira.”(PERISSÉ, Gabriel. Palavras e origens: considerações epistemológicas. São Paulo: Saraiva, 2010)

Fiz a leitura de um conto que, sem firulas, prendeu minha leitura da primeira frase à última oração. A derradeira experiência que tive com essas “short stories” foi com um conto do sergipano Antonio Carlos Viana, contudo o escritor da vez é o uruguaio Horácio Quiroga. O nome do conto: O Solitário. Gosto das histórias que ecoam em minha mente durante muito tempo após a leitura – essa foi uma delas. Pensei até em adaptar esse conto em um roteiro para um curta metragem. Devaneio.
A estória conta a saga de um joalheiro chamado Kassim. Se destacva em sua profissão, mas – sem ambição – não tinha acumulado fortuna. Tudo que o hábil joalheiro ganhava era para sua esposa Maria. Seu trabalho era uma atividade solitária que o afastava de uma vida social. Porém, Maria era ambiciosa e chorava por não usar as jóias que o marido confeccionava. Essa obsessão começou a perturbar a mente da esposa inconformada. Ela chegou a roubar um broche para ir ao teatro.
Um evento muda decisivamente o rumo dos acontecimentos: a chegada da pedra preciosa mais impressionante vista por Kassim designada para fazer um alfinete de gravata. A obsessão de Maria chega a níveis alarmantes e desencadeou uma crise de nervos horrível. Kassim chegou a prometer a jóia à mulher.
Final: ao terminar de fazer o alfinete de gravata com essa jóia exuberante, Kassim o enterra no peito da louca atingindo seu coração.
Esse conto deixou-me estupefato pela maestria da narrativa desse uruguaio, bem como me fez pensar algumas questões. A história representa o duelo de duas forças antagônicas: Maria representa o prazer [vale relembrar da consideração epistemológica da palavra jóia] fetichista e Kassim representa o artista solitário paciente e desprendido. A luta de Maria era pela notoriedade, pelo reconhecimento e aceitação social; dessa forma seus prazeres deveriam ser atendidos e vistos pelos outros. Ela não controla esses impulsos e chega ao extremo. Kassim, o solitário, para salvar sua arte teve que se livrar dessa pressão social. Soou psicanalítico e sociológico? Deve ter sido pelas leituras que fiz ano passado: Eros e Civilização (Marcuse) e Weber.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

PRISÃO DUPLA


Prisão dupla

Misto de duas sensações:
Amo estar odiando e
Odeio estar amando.

Sabia que isso ia acontecer,
Mas sempre me arrisco.
Pareço não aprender ao olhar para trás.

Às vezes me alivio com sua presença,
Outrora me deixa com aperto no peito.

Adoro ver você comer e suas intimidades.
Torno-me tão seu que me aprisiono.

Viciante e – realmente – é seu cheiro.

Esse vício irá me matar.



terça-feira, 4 de janeiro de 2011

LUTA INTESTINA



“É muito mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade”. (Virgínia Woof, 1882-1941)
As crenças não provadas pela ciência são mais dificultosas de serem superadas. Penso em um exemplo: o medo, que atravessa gerações, do “bicho-papão”. Não gostei dessa exemplificação, mas não consigo pensar em outro no momento.
Crer na realidade não é tão difícil, mas como ela é crua e impactante não queremos enxergar o real. Penso outro exemplo: que o ser humano é capaz de pensar e realizar um campo de concentração. Gostei dessa exemplificação real e inacreditável.
Estou terminando de ler “Henry e June”, de Anaïs Nin. Essa é uma obra retirada dos diários dessa autora de 1931 a 1932. U ano somente foi capaz de render uma das obras mais marcantes que já li. Tinha lido outras obras dessa autora, famosa por suas histórias eróticas. Contudo, confesso que “Henry e June” foi o que mais gostei.
Anaïs Nin conta suas experiências de sua libertação sexual com Henry Miller e sua esposa June. Explicando: Anaïs fez sexo com ambos. Claro! Um por vez. Anaïs era bissexual? Não sei. Mas ela fazia seções de psicanálise. Ela mesma afirma:
“A análise [psicanálise] me faz sentir como se eu estivesse me masturbando em vez de fodendo”.
A tentativa singular da autora em se libertar das amarras moralistas de uma se torna universal e faz com que suas experiências sexuais exprimam a luta intestina de autoconhecimento de um ser humano.
Henry Miller – escritor já renomado era apenas um fantasma para Anaïs. Porém, encarar a realidade de estar apaixonada pelo escritor (Henry) e pela sua mulher (June) a deixou transtornada. Ela já era casada com Hugh, mas já mantinha uma intensa relação com seu primo Eduardo. Foi uma mulher que amou intensamente. Lembro do início de um dos poemas de Fernando Pessoa:
“Beber a vida num trago e nesse trago todas as sensações que ela possa me ofertar”.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

INSÔNIA



Insônia. Escrevo tais palavras na madrugada, visto não conseguir dormir. Minha mente ficou povoada de idéias e de pessoas e resolvi escrever após dias de não redigir uma linha sequer. Devo confessar que não consigo escrever diretamente na tela do computador; primeiro tais palavras são escritas em agendas ou em cadernos antes de serem postadas aqui. Várias agendas e cadernos estão acumulados em meu guarda roupa e não consigo jogá-los fora – uma parte de minha vida está escrita neles. Creio viver um dos momentos mais felizes de minha excêntrica vida. Apesar de ter consciência de ser emocionalmente instável estava pensando e tentando lembrar a última vez eu chorei: não consegui recordar. Esse foi um de meus pensamentos que sondaram minha mente nessa insônia. Vou tentar dormir e pensar em escrever algo interessante para a próxima postagem. Certa pessoa (Luciana – www.reunindopalavras.blogspot.com) disse que ando muito feliz ultimamente: acertou na mosca!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

INSTIGA



Tu sabes me deixar aceso.
Tu entendes os mecanismos para tal.
Cada poro de minha pele anseia
pelo seu toque. Quando isso ocorre
meu estômago contrai.

Depois da animação tu te afastas
e me enlouquece. Apenas me instiga
e me mata aos poucos.
Essa dor é viciante. Quero a todo
momento observar a languidez
[dos movimentos de seu corpo]

Sua face angelical e perversa me atrai.
Seus atos falhos me alegram;
deixam-me esperançoso.
Queria viver só de palavras,
pois elas não doem tanto.

Mas as palavras se materializam
e consigo pegá-las com as mãos.
Elas cortam
e ferem. Aliso essa palavra
consubstanciada e me torno feliz.

Quero alcançar a pura forma,
mas o sentimentalismo está impregnado
nelas. Rendo-me à dor,
faço dela uma fonte de prazeres.
Continuo aceso.
[Não consigo desativar tais mecanismos]

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

MOTO, PLATÃO E PETER GREENWAY



“[...] Quanto melhores forem, pois assim sendo tanto mais amam a imortalidade.” (Platão, O Banquete)
I –MOTO
Será que anseio pela imortalidade? Creio não pensar nisso ainda, pois equanto jovem, a imortalidade está em potência em mim. Atualmente, estou aprendendo a pilotar motocicleta – por que não utilizei apena moto? Sou retrógrado – e já coloquei o veículo a uma velocidade que, em uma queda quebraria todos os meus ossos. Penso ser imortal (risos).
II – PLATÃO
Contudo, questões relacionadas à imortalidade povoaram a minha mente pseudo-depressiva-romantica ao assistir dois filmes do diretor Peter Greenway. Seguirei o roteiro do título e deixarei o comentário sobre esse diretor por último. Comentarei sobre Platão.
“Um dos trechos mais lidos de sua obra chamada de “Symposium”, conhecida como “ O Banquete”, é o discurso de Diotima. Não quero me prender a detalhes desse livro de Platão, mas quero re-lembrar (risos) das maneiras de se imortalizar, segundo Platão, ao inventar esse personagem interessante (Diotima).
1ª Maneira de se tornar imortal® (pelo corpo) tendo filhos. Sua matéria crpórea, suas características, sua carga genética se perpetuaria.
2ª Maneira de se tornar imortal® (pelo espírito) cria aquilo que compete a alma criar. A criação é feita pelo pensamento e virtudes. Curiosamente, Platão cita os poetas.
Nesse livro platônico um trecho chamou minha atenção: Aquiles (não lembre Brad Pitt no horrível “Tróia”) não morreu pelo seu amor homossexual por Pátroclo, mas desejou ser imortalizado pelo seu feito. A premissa platônica: O homem deseja ser imortal.
III – PETER GREENWAY
Volto a comentar sobre Peter Greenway. Assisti apenas 2 filmes desse diretor: “O livro de cabeceira”(1996) e “Ronda da noite” (Nightwatching, 2008). Ambos filmes citados tem, em meu devaneio, uma ligação com o desejo da imortalidade. A arte será a promotora da sensação imortal e a libertadora das coisas fugazes. No primeiro filme, o desejo compulsivo de uma mulher em escrever livros na pele de seus amantes leva, depois da morte de um deles, à retirada da pele e a enterrá-la embaixo de um bonsai. No segundo filme as vicissitudes de Rembrant demonstram a força de sua pintura e a necessidade de se imortalizar com sua arte.
IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS
Continuarei a pilotar motocicleta – com menos velocidade –, não pretendo nesse momento ter filhos e quero assistir mais filmes de Peter Greenway.

domingo, 19 de dezembro de 2010

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Como pode uma formiga se apaixonar por um escorpião? À primeira vista ela sentiu-se hostilizada pela presença arrogante do escorpião. As diferenças – contrário ao que todos pensam – fizeram com que elas se afastassem. Contudo, a aproximação se deu quando perceberam seus pontos em comum. Ambas gostam de liberdade e possuem uma vida noturna muito ativa. O primeiro encontro foi um desastre: não conseguiram fazer nada, apenas cheiraram os orifícios alheios.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NAKED LUNCH - preciso criar outro blog



Confesso que um de meus desejos foi realizado após terminar de ler esse livro: “Almoço nu”, de Burroghs. Infelizmente, ao devo detalhar as descrições do livro, visto que o público de leitores desse humilde blog também é composto de crianças – muitas mais espertas que eu, mas me rendo a essas convenções. Contudo, demonstro a felicidade com essa citação:
“Amável leitor, a fealdade de tal espetáculo desafia qualquer descrição. [...] Ah, meu Deus, que cena aquela! Seriam a língua ou pena capazes de transmitir tamanho escândalo? Um jovem rufião descontrolado arranca fora o olho de um confrade e passa a foder-lhe o cérebro! Temos aqui um caso de atrofia cerebral, esse negócio está tão secoquanto a buça da vovó.”
Me preparo agora para ler minha nova aquisição: “Fluxo-floema”, de Hilda Hilst.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Motivos



Nesse processo de chatice que enfrento – enjôo comigo e com o mundo – percebo que a solução está, talvez, na poesia-arte-filosofia. Percebo, também, que a solução está na alteridade, leia-se outra pessoa, visto ser muito bom conversar, amar e etc. Meus momentos de misantropia urbana, embora necessários, revelam quanto preciso dessa alteridade. Bastou um toque para que esse momento de solidão voluntária se dissipasse, bastou um olhar para perceber que também preciso de interação.
ACREDITO TER ESCRITO TAIS PALAVRAS DEPOIS DE LER ESSE POEMA :
MOTIVO
(Cecília Meireles)
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

CREIO NÃO PRECISAR DIZER MAIS NADA

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

UM GRITO SILENCIOSO



Um grito não audível ecoa na mente. Dura cerca de um minuto e meio. Meus lábios apenas pronunciaram – “que legal” – palavras de agradecimento. A curiosidade já deve “martelar” algumas mentes, pois: qual seria o motivo desse grito inaudível? Um grito que não brota dos pulmões e das cordas vocais, mas de um recôndito abaixo do estômago – semelhante à sensação de encontrar a pessoa amada. Chega de invenção! O motivo de tal devaneio foi a chegada de um livro em minhas mãos. Um objeto de fetiche como esse é capaz de fazer tudo o que foi descrito acima.
“Almoço nu” (Naked lunch), de Willian S. Burroughs, foi o livro que chegou às mãos pela manhã. Um amigo de infância – Carlos – foi o sacerdote que trouxe o objeto de oferenda aos deuses. Certamente o grito ecoado em minha mente não foi percebido por ele, visto ter entrado numa euforia interna sem precedentes. Qual a origem disso?
Primeiro motivo: a versão cinematográfica do livro de Burroughs ter sido gravada pelo diretor canadense David Croenemberg, o qual tenho profunda admiração. No Brasil esse filme recebeu o título – não sei por que – de Mistérios e Paixões.
Segundo motivo: Burroughs é considerado beatnick. Essa literatura americana que foge e combate os esquemas morais mais rígidos e hipócritas da sociedade. Já comentei sobre Bukowski em postagens recentes.
Devido a essa oferenda aos deuses, tive que interromper a leitura da obra que estava lendo: “O coração das trevas”, de Joseph Conrad. Curiosamente, também primeiro conheci a versão do cinema desse livro – Apocalipse Now(1979), de Copolla.
Neste exato momento acabo de ler a sexta parte do livro de Burroughs que, aparentemente, não possui nenhuma conexão, mas percebo que uma das intenções do autor é causar um efeito alucinógeno semelhante ao dos personagens Outro beatnick! Estou viciado.

domingo, 5 de dezembro de 2010

AMO PROSA, GOSTO DE POESIA. QUE TAL UMA PROSA POÉTICA?

Reservei esse final se semana a ler alguns poemas. Creio não ter nada a ver a leitura de poemas com o estado sentimental do indivíduo, mas nesse caso específico penso que sim. A leitura desses textos impregnados de poesia fez com que a seguinte interrogação pairasse sobre minha cabeça: Como entender poemas – leia-se também poesia? Não quero adentrar nesse tipo de discussão, visto ser leigo nesse assunto, mas sou leitor de poemas há bastante tempo e eles realmente me fazem viajar, sem ajuda de nenhuma droga.
Acabei nesse instante de ler o planejado para esse fim de semana e me preparo para compor mais uma música. Nunca tinha lido algo de Henriqueta Lisboa e gostei muito de um de seus poemas:
FIDELIDADE
Ainda agora e sempre
o amor complacente.

De perfil de frente
com vida perene.

E se mais ausente
a cada momento.

Tanto mais presente
com o passar do tempo.

à alma que consente
no maior silêncio

em guardá-lo dentro
de penumbra ardente

sem esquecimento
nunca para sempre

doloridamente.

(Henriqueta Lisboa)

Ouvi da boca do escritor sergipano Antônio Carlos Viana que é possível ler poesia em prosa. "Que todo prosador tem um caderno de poesia escondido". Tô começando a concordar com ele.